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quinta-feira, julho 31, 2003
 
Como já devem ter reparado os meus posts no silhuetas são direccionados, na maioria das vezes, para problemas ambientais. Não porque goste de falar deles enquanto problemas propriamente ditos, mas sim na perspectiva desejável - cada vez mais longínqua - que seria a sua ausência ou minimização.

Hoje veio-me à memória o caso dos incêndios. Fiquei ligeiramente surpreendido ao ver o ministro da administração interna afirmar que a partir do próximo ano a aposta seria contundente do lado da prevenção. Que os proprietários particulares teriam que assumir responsabilidades e tratar de limpar as suas parcelas de floresta. Acho bem!
Mas como levar isto à prática? Sim, porque, caso o ministro não saiba, as maiores manchas florestais encontram-se no interior em zonas de população envelhecida. Na altura que esta gente era jovem os pinhais estavam limpos e os incêndios eram mais raros e de menor gravidade. Nas duas últimas décadas o fluxo de jovens para o litoral e para o estrangeiro deixou aquela gente sem a força jovem necessária para a sustentabilidade que no passado se verificava. Este problema remete-nos para a questão de que um desequilíbrio tem sempre mais alcance do que a nossa percepção imediata é capaz de vislumbrar.
Aparentemente a solução parece difícil! Mas não é. O diagnóstico já deu teses e muito consenso no que é necessário fazer. Qualquer pessoa que passeie pela montanha sabe que a melhor prevenção está na constituição da própria floresta. O ministro sabe-o bem. A pressão dos media é que talvez faça dizer coisas desajustadas do projecto a empreender.
Como prevenir, então?
Os técnicos florestais esclarecem que a introdução de espécies folhosas (castanheiro, carvalho, faia, etc.) é a barreira fundamental para revitalizar a nossa outrora magnífica área florestal. Claro que estas espécies têm um crescimento mais lento e, portanto, a sua escala de rentabilidade não se faz ao longo de uma geração. O apregoado seria combinar áreas destinadas à produção com zonas de reserva que funcionassem como tampão. Isso é prevenção eficaz.

Por outro lado, e daí a minha surpresa parcial ao ouvir o ministro, é sabido o estado de degradação que o parque nacional da Peneda-Gerês tem vindo a sofrer. Gostava de saber qual a estratégia para esta vasta zona administrada pelo estado que há trinta anos era um dos ex-líbris da floresta portuguesa. Será que o estado gasta dinheiro a limpar? Ou prefere apagar?