:... silhuetas ...:

segunda-feira, outubro 06, 2003
 
A edição deste sábado do jornal Expresso pesa mais do que nunca.
Basta olhar para a sua primeira página para percebermos que a envergadura desta edição é tal, que nos deixa quase sem respirar. Senão vejamos:

a) primeiro
São duras, muito duras as palavras de Freitas do Amaral referindo-se a Paulo Portas: "(...) Estaline fez o mesmo a Trotsky e contudo foi este que ganhou militarmente a revolução de Outubro de 1917. Estaline levou a sua fúria ao ponto de mandar assassinar Trotsky no México. Pelo sim, pelo não, evitarei nos próximos tempos fazer férias em Cancun."
E mais à frente: "(...) Se tivermos presente que o grande convidado estrangeiro do Congresso do PP foi o líder dos neofascistas italianos, já podemos fazer uma ideia das áreas em que se move o actual PP".

b) segundo
Esta fico-me pelo título até porque não deixa de ser um tanto ou quanto irónico. E esse título é: "Durão favoreceu demissão de Lynce"

c) terceiro
As palavras da Provedora da Casa Pia abanam qualquer estrutura de betão: "O país não está preparado para o terramoto que aí vem".
Sabendo nós como se constrói em Portugal, imagine-se o efeito das revelações finais do processo Casa Pia já que, segundo Catalina Pestana, elas poderão constituir "(...) um terramoto de grau 7 na escala de Richter". Vai a negrito que é para se perceber bem: grau 7!

d) quarto
É uma notícia na habitual coluna da esquerda com o título "Cães perigosos" que diz o seguinte: "A partir de Julho de 2004, os donos de cães perigosos serão obrigados a obter uma licença especial, a identificá-los com microship e a ter um seguro (...)".
As perguntas são minhas: Quem vai fiscalizar? E que licença especial é essa? São testes de personalidade? Outros testes?
Espero que a medida tenha efeitos práticos até porque quero voltar a caminhar na rua sem medo.

e) quinto
Aquele "Política à portuguesa" foi mesmo escrito por José António Saraiva?
Não acredito.

f) sexto
... e último. E como último vem em contra ciclo e serve para «suavizar» o esforço de carregar com uma edição assim. Dizem que as crianças são seres ausentes de maldade e mentira. Ora, o equivalente às crianças no seio de um partido político são as bases. E foi das bases do PP que veio esta saborosa definição: "Ser eurocalmo é não fazer ondas, porque agora estamos no Governo".
Nem mais. Está é a verdadeira política à portuguesa!